É Meu Pai!

É meu Pai!

A grana anda curta

A bateria anda fraca

Na bagunça das ruas

Redes sociais são agulhas

Atiradas no estrelato da favela.

É meu Pai!

Quem disse que seria fácil?

No auge da minha inerte cabeça

Esquematizo mais um plano furado

Jogo na sorte do bicho sujo.

É meu pai!

O caminho tá conturbado

A terra “brasilis” anda cega

Hollywood é pequena perto dela.

É meu pai!

Respiro fundo todo dia

O ar anda espesso.

É meu Pai!

Melhor não palavrear.

 

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Recado Íntimo

Qual lado me direciono?

Para a neblina do “eu”

no vão da imensa camada fina

entre um passado morno,

presente transitório

e futuro…ENIGMÁTICO!!

Porque me importar com o além??

Além das nuvens passageiras

da superfície ainda

não ultrapassada…

Qual o aprendizado capturado?

Nenhum talvez…só esteja começando…

Sei apenas do presente!!

Esse presente triste

e infinitamente belo…

Belo pela capacidade de ser o AGORA

triste pela ingenuidade do DEPOIS

e retrocesso medonho ao PASSADO!!

O que dizer então?

Irei envelhecer o corpo

ou cair na rua,tropeçando em pedras

na flor da idade?

O que aprendi com esses pequenos passos?

Que os muros continuarão a existir

aquela sombra continuará a me seguir

nos dias de sol e nos dias de chuva…

Tanto no sentido metafórico

como no sentido de dualidade da coisa…

Farejar como rato…caçar como leão…

mastigar como vaca ou transar como um cão…

Que a resistência sobreviva!!

Rotina Moderna

Acordar.

Se levantar apressado.

Tomar café amargo.

Pão,manteiga e faca na mão.

Comandos tão insossos

que me causam náuseas!

Toda lembrança que escorre

e escapa por entre os dedos…

Toda covardia exposta no medo…

Toda luz que deixou de iluminar

o canto dos meus lábios.

Já não sei se me rendo

ou engano o tal cansaço

que desaba em meus ombros.

Sei que o calor do verão existe

e o frio do inverno persiste

na mesa onde exponho meus delírios.

Ainda passo a manteiga no pão

só para constar que estou vivo.

Ciclos

Mude por você. Comece a desvendar o mistério de ser quem é. Não colabore com o marasmo da vida mansa embutida…invista esforços para sentir o sangue nas veias fluírem, e jamais espere que somente o amor alheio faça isso acontecer…

Se não foi da forma que esperava, saiba que pelo menos suas atitudes foram adequadas para buscar e agir… mesmo que tenha alguma decepção, entenda que a pele pode ser trocada AGORA! Seja quem quiser, mas não pare no tempo…

A roda gira, o corpo reage, o sol vem, a noite brota…você pode rodar, esbarrar, tropeçar, fazer coisas inadequadas, mas não seguir nessa água parada… A maré continua subindo e a vida permanece em ciclos para se reabastecer…

Mude por você! O amanhã? Vem em uma nova onda…

Passeando em Terras Distantes

“VIVER…”

Batalha constante

Tiro certeiro

Formosura calada

Um surto agradável…

Delicadas linhas

Imagem perdida

Cruzando avenidas

Bagagem de sentidos…

Força arredia

Marcas da sensibilidade

Moinhos de vento

Flutuando na margem…

“ME VEJO CAINDO…”

Curioso arrepio

Refletindo distante

Sussurros em melodias

Abalo de pensamentos…

Adrenalina sutil

Vibração da loucura

Apreciando um déjà vu

Abrindo dimensões…

Respiro profundo

Um piscar de olhos

Esquadro perfeito

Assim vou vivendo…

“PASSEANDO EM TERRAS DISTANTES…”

Noite Plena

Você chegou devagar

Já senti o prazer

Isso parece loucura para mim

A vida já mudou o sentido

A tua presença me balança

Eu quero continuar aqui

Estou misturando sentimentos

Não é possível a tua existência

Me sinto domado e dilacerado

Ao mesmo tempo eufórico

Tudo está perfeito

Esta sensação persiste

Não pode ser uma ilusão

Está tudo escuro por aqui

Parece o medo que se aproxima

Ou é a morte que chegou?

Quero ficar acordado

Para vê-la se desfazer

O dia está chegando

Quero lembrar tudo que fiz

Nessa noite plena

Que conquistou a minha alma

E pregou a minha loucura.

 

Rua do Descanso

Cheguei em casa meia-noite, assustado com o barulho do asfalto que gritava de agonia e dor. Nas entranhas do subsolo, imundos pés contaminados abriam úlceras por toda parte, criando bactérias racionais.

Me apavorei com as lágrimas das lixeiras, que são imprestáveis durante o dia (sozinhas), sem nenhum tostão nos bolsos furados, apenas chicletes mastigados, encontrados no fundo dos seus corações amargos.

Fiquei com medo dos telhados que estavam discutindo assuntos alheios, pois davam risadas dos esgotos entupidos, dos cachorros amarrados e das janelas cheias de grades.

Depois de um tempo, parei de ficar pensando nessa carga pesada, e acabei aproveitando o céu divino que inundou a minha estrutura com um silêncio profundo. As nuvens passeavam no luar, iluminando essa noite escura, aliviando o meu cansaço por um tempo.

Enfim esqueci as dores que me vigiavam sem descanso, dormi em paz observando as virtudes, e acordei cheio de incertezas, mas sem medo de virar a rua, errar o caminho e de ter medo outra vez… pelo menos por alguns instantes…